As férias estão a acabar! Já estamos a 23 de agosto e grande parte do merecido repouso que o tuga, depois de uma ano assoberbado por pensamentos omnipresentes sobre a nossa crise, já está a chegar ao fim. Durante este mês, não fossem os sempre insistentes media a tentar puxar qualquer coisa de debaixo do tapete, e tudo pareceria normal. Eu passei pelo Algarve e de facto a única crise que vi foi a de espaço para plantar o meu guarda-sol, estender a minha toalha e assentar arraial com a família. Aí é que eu senti uma grande crise, de resto, nem por isso.
Admito que algumas famílias, em prol de uns diazitos a banhos tenham sacrificado umas refeições, confinadas no período de estadia no sul a atum e sardinha em lata, com muita batata frita de pacote, num enjoo repetido só quebrado por um final de semana em que a caça ao berbigão deu os seus frutos. Possível, mas os restaurantes estavam bem compostos e não era só estrangeirada! Começo a pensar que isso da crise é psicológico, derivado a uma contaminação generalizada levada a cabo pelos media em Portugal, ou então estamos a sofrer por antecipação! Sem desmerecer o respeito aos que verdadeiramente foram afetados pela crise, casos de famílias desempregadas e afins, acho que a grande maioria que se queixa desalmadamente ainda não sabe bem o que é a crise, aquela que nos faz sofrer porque nos tira o pão da mesa e nos ameaça com um novo teto debaixo da ponte. Ainda estamos longe, mas para lá caminhamos, é só a Europa se esfrangalhar, o que pode suceder num ápice, porque isto está tudo coladinho com cuspe, e aí vamos poder chorar justificadamente a dita crise. Fica a nota para os anarquistas de esquerda que defendem a rebeldia da República de Portugal, num regresso forçado ao já enterrado escudo: não há como ser uma boa solução, embora não diga que não possa ser desenterrado por motivo de força maior. Se isso suceder, é melhor começar a investir novamente na extração de volfrâmio e urânio a potes. Ok, exagerado, não acho que iremos chegar a cenários bélicos, mas enfim, secalhar não vamos andar longe.
Assim sendo resta-me desejar um bom fim de férias aos que ainda delas usufruem, as minhas já eram. Aos que não sabem bem o que isso é por passarem os 12 meses do ano na vida airada à procura de emprego, e de preferência que dê pouco trabalho, uma boa continuação setembro dentro, do meu lado, já vi o recibo de vencimento, e check nos descontos para a segurança social, não quero que vos falte nada!
Pantomineiro Mor



