
Nos últimos dois anos, os longínquos anos de (15)11/12 e (15)12/13, o Rei Bufas confiara ao bobo da corte a condução do exército na defesa do reino, o do norte, mas que também mantinha alguns dos vassalos a sul debaixo do seu poder na luta contra aqueles que designava de mouros. Sabe-se desses tempos que não era o bobo da corte que ganhava as batalhas, mas sim algumas figuras do Clero vendidas também elas à fruta que abundava na corte do Rei Bufas. Mas no ano de (15)12/13 surgiu no mapa de Portucale uma nova figura, o Aprendiz de Feiticeiro Fonseca, a quem, na iminência de uma batalha final que poderia devolver o trono aos mouros, lhe havia sido prometida uma cadeira de sonho na corte à frente do exército até então comandado pelo bobo em troca de uma honrada derrota. E assim foi! O Conde de Ferreira também acedeu a troco de dois cavaleiros de má reputação para conduzir os seus exércitos, mas ainda assim cavaleiros!
O Jovem Aprendiz, que se dizia famoso na região por transformar madeira de todo o tipo em mobiliário de topo para castelos e palacetes, ganhara o reconhecimento do Rei Bufas ao longo desse último ano, tendo até construído uma arrastadeira para este, já nos momento mais frágeis da sua vida, poder defecar com facilidade em qualquer lugar, perante vassalos, cavaleiros e donzelas, especialmente a donzela que lhe preenchia o coração, também ela vinda das Américas. Reza a história que era pretensão do Rei Bufas que o Aprendiz de feiticeiro Fonseca lhe haveria de confiar a missão de construir o caixão no qual deixaria o mundo terreno, mas infelizmente os relatos existentes dessa época não nos permitem aferir a veracidade do facto. O Escrivão Aguiar, que durante décadas acompanhou e relatou com beleza e encanto os
desvirtuados sucessos do Rei Bufas viria mais tarde a ser descartado de funções no novo reinado.
Na primeira batalha do reinado (15)13/14 fora demasiado fácil para o Aprendiz de Feiticeiro Fonseca, vitorioso com o seu novo exército de calibre bem superior ao que comandava anteriormente. Mas ele não sabia que o Rei Bufas havia encenado com o Clero tal facilitismo.... e mesmo depois de nova vitória forjada pelo Clero no condado da sardinha, no qual o Aprendiz Fonseca, peito cheio de ar e convencido de que já era Feiticeiro, lançara um feitiço sobre o comandante do exército adversário, um velho sábio que em tempos também ele fazia belas mesas e cadeiras....
E pouco a pouco, nesse fatídico ano de (15)13/14 o velho Rei Bufas foi ficando mais débil, com propensão para a senilidade, e por isso, não foi de estranhar que a sua dominância sobre o Clero fosse ficando cada vez mais em causa. O perspicaz Clero já havia traçado o filme antecipadamente, e virara costas ao Rei Bufas. Não foi por isso de estranhar que algumas das batalhas travadas nesse ano, teoricamente fáceis para um exército do "calibre" do Reino do Bufas, se materializassem em derrotas no campo de batalha. E assim foi até à queda final! Mesmo perante os apelos do Rei Bufas ao Aprendiz Fonseca, "faz magia Fonseca, faz magia Fonseca", a verdade é que o Aprendiz nunca conseguiu mais do que juntar 4 cadeiras e uma mesa para a sala de estar do Rei Bufas!
Mais tarde, muito mais tarde, se veio a confirmar que o Fonseca não era um Aprendiz de Feiticeiro mas sim um mero MARCENEIRO. Um bom por sinal, e até a nova placa do castelo do Reino, com o nome do seu falecido Rei Bufas, foi esculpida por ele e dura ainda até aos dias de hoje.
Moral da história, a mentira dura mas não dura para sempre!
Pantomineiro Mor
QUALQUER SEMELHANÇA COM A FICÇÃO É PURA REALIDADE, OU SERÁ AO CONTRÁRIO?



