Só mesmo neste país! Andamos há meses a patinar sobre o “de câmara” e o “da câmara”! Tudo acaba por ir ao Tribunal Constitucional e qualquer dia qualquer pequena rixa de parque de estacionamento também vai ter que passar pelas barbas dos 13 juízes, quando na realidade meia dúzia de insultos e em caso extremo uns amolganços resolveriam a situação. Bem sei que esta disputa sobre o “de” ou “da” câmara dificilmente se poderia resolver com uns piropos entre deputados, ou com um engalfinhar de candidatos na praça pública, mas que diabo, assim não dá mesmo!
Em primeira instância, a baralhação em torno do “de” ou do “da” é absolutamente ridícula, por isso desde já um valente atestado de incompetência para deputados e legisladores, tudo malta de educação superior, mas em português, fraquito, recomento por isso a leitura em voz alta dos Lusíadas e à noite 10 páginas dos Maias durante os próximos 10 anos, naquela base do quando acabar volta ao início.
Em segunda instância, os tribunais espalhados pelo país que se têm divertido a aceitar e recusar candidaturas a seu belo prazer, sabendo de antemão que a decisão final caberá sempre ao Tribunal Constitucional, por isso, tudo o que até lá suceder é só para divertir a a malta e ocupar neste verão os empreendedores políticos do Bloco de Esquerda. Mais, não cabe na cabeça de ninguém que algo aparentemente simples possa ser avaliado de diferentes formas por juízes diferentes.
Em terceira instância, o Tribunal Constitucional. Ora bolas, ou estavam cheios de trabalho até ir de férias, o que me custa muito a acreditar, ou então, deixar arrastar o assunto até às férias de verão, que naquelas bandas são duas ou três vezes mais alongadas do que as do comum dos mortais, para que a decisão sobre esta matéria seja tomada em vésperas de eleições por metade dos juízes que ficou de sentinela, é assim como que uma demonstração expressa de se estarem a cagar para o país. Não são os únicos….
Mas o Pantomineiro vai dar uma ajudinha a esta gente! Bem sei que isso das câmaras é algo de subjetivo, é por isso preciso simplificar com algo de mais palpável e entendível para qualquer miúdo com 4 anos de idade. Recorro por isso ao mais banal dos insultos nacionais, pois este tema não é muito diferente do clássico “filho da” ou “filho de”. “Filho da” é algo de muito concreto, trata-se de uma senhora em particular, a quem todos reconhecem a profissão, não confundível com outra do mesmo ramo. Não há dúvida, é aquela e nenhuma outra de quem o sujeito é filho. Já “filho de”, é diferente, o individuo é filho de uma senhora da má vida, isso é um dado adquirido, mas não se sabe bem qual é, apenas que o é. Clarinho? Acho que agora fica bem mais simples a decisão do Tribunal Constitucional, só espero que não façam nenhuma confusão e não acabem por proibir os “filhos de” de se candidatarem a presidentes “de câmara”.
Por último, dizer que todo este tema é ridículo, para todos os efeitos é o povo que vota, e se este entende que pretende manter o mesmo presidente de câmara para o 15º mandato, então que assim seja! Se há poderes instalados, corrupção, favorecimento, então é um caso para a justiça atuar…. mas apenas e só se não estiver ocupada a pronunciar-se sobre estes fait-divers!
Pantomineiro Mor



