
Dou de barato que pagar 20 € para fazer um exame eliminatório de acesso ao concurso de professores foi uma estupidez do Ministério da Educação. Mas depois do que vi ontem, entre professores que mais pareciam miúdos da secundária com pinta de baldas e professores em estado de esgotamento cerebral crónico, em vez de 20 € deviam ter pedido a cada um dos professores a concurso para entregar uma dúzia de gambuzinos, seria mais apropriado!
A conversa é sempre a mesma! Entre um vasto leque de licenciaturas, mestrados, pós-graduações detidos por esta gente, alguma dela cumulativamente, justificava com o seu CV académico a dispensa para a realização do dito exame. Pensava eu para com os meus botões, ora gente tão qualificada e tão habituada a realizar exames ao longo desta vastidão académica tem agora receio de realizar um teste de acesso? Uma humilhação? Será que os alunos destes mesmos professores também se sentem humilhados quando no final do ano letivo têem que realizar uma prova para aferir da sua aprendizagem? Se não sentem podem começar a partir de agora, os stores deram o mote! Mas é crónico em Portugal, eu tenho uma licenciatura e sou o maior lá da rua. Se tiver mestrado ou pós-graduação, então passo a maior da praceta!
Ora como eu posso escrever aquilo que o Crato não pode dizer (embora ontem se tenha esticado com a coisa do ensino politécnico), cá vai. Não é só no ensino politécnico que o ensino é muitas vezes fraco, em complemento, em muitas universidades deste país a coisa não é melhor! Se aliarmos a isso a propensão nata do tuga para copiar, ao qual o imaculado professor não é excepção, há que dizer que anda por aí muita besta quadrada de canudo debaixo do braço, mas de orelhas bem compridas. Todos sabem que o ensino em geral em Portugal é fraco, com um ou outro oasis, felizmente, mas ao qual apenas os putos de provas dadas conceguem aceder. De resto, uma lástima.... por isso parece-me bem que o Crato aperte com esta corja corporativista que só tem por objetivo nivelar o ensino por baixo em Portugal. Os portugueses têem direito a ter uma educação com qualidade tendo em conta os impostos que pagam e a fatia que é alocada à educação, por isso tudo o que o Crato faça para separar o trigo do jóio tem o meu apoio. Era o que me faltava que todos os professores, só porque têem um canudo concorram em pé de igualdade! Isso é comunisto, e como sabemos, com o comunismo a coisa nunca acaba lá muito bem....
Duas notas, uma para dizer que devem haver poucas profissões onde existam tão poucas encomendas (no caso da educação, número de alunos para ensinar) e em que os seus profissionais façam tamanho escarcel como se tivessem o rei na barriga. Segundo, aquela prova que era um bicho papão e que alguns dos ilustres professores classificaram como de grau bastante elevado foi realizada com um pé às costas por uns quantos alunos do 12º ano.... imaginem só, putos que nem têem canudo nem nada!
Por último, caros professores: coloquei a imagem com uma faixa de uma manif de professores em 2006 na qual pediam um ensino de qualidade. Acho que o Crato vos quer fazer a vontade, vocês é que mudaram de ideias, mas cá na minha ideia acho que o que vocês querem é mamar do belo e fazer pouco, muito pouco.... de resto, que se lixe a educação, né?
Pantomineiro Mor
PS: bem sei que os professores não são todos iguais, as minhas desculpas a todos os que não encaixam neste perfil, em especial os bravos que ontem, passando por cima de cabeças e ombros lá conseguiram entrar na sala para fazer a prova.




14 comentários:
Como sou professor, ainda que não de português, permita-me que lhe ensine que o verbo haver não tem plural. Logo, "devem haver" deverá ser substituído por "deve haver". Sei que é um preciosismo, que não tem grande importância, porém, será que uma falha semelhante será gravosa na altura da correcção da prova? Fica a pergunta. No entanto, o que já é realmente gravoso é o conteúdo do seu texto, que revela um grande desconhecimento em relação à prova e a tudo o que a rodeia. Fique sabendo que esta não se trata de uma prova de professores, trata-se, isso sim, de uma prova para alguns professores. É feita uma divisão arbitrária entre professores totalmente aptos e eventualmente aptos, o que é completamente absurdo, dado o critério para a escolha do alvo - professores contratados com menos de 5 anos de carreira (com horário completo). Repare que inicialmente seriam todos os professores contratados. O Ministro voltou atrás, tentou dividir para reinar - curioso provérbio, que poderia ter figurado naquela vergonha degradante - e definiu a tal arbitrariedade. Felizmente falhou, e a massa de professores preservou, por hora, a sua dignidade. Fala também nos cursos superiores que detêm os docentes, que parecem já valer menos que a uva mijona. Porém, a serem maus, devido à suposta fraca qualidade do ensino superior, teriam de ser intervencionados directamente pelo Ministério da Educação, que, aliás, por eles é responsável. O que não pode acontecer é o Crato estar à espera que estes, ressoando o efeito das provas de que se fala, se auto regulem, bem ao estilo de uma lógica mercantilista de cartilha neo-liberal.
É responsabilidade do ministério zelar pela qualidade dos seus cursos superiores, caso contrário tudo isto é uma fraude para sugar dinheiro aos pobres diabos que se andaram a formar durante todo este tempo e que vêm agora saber que andaram a perder tempo. A ser verdade que tudo foi em vão, que houve fraude, devolva-se o dinheiro a esta gente, bem como a todos os alunos que passaram pelas mãos destes pseudoprofessores. Note-se que para se ser profissionalizado em ensino é obrigatório que se faça um estágio profissional, com aulas observadas e avaliadas, e um trabalho escrito na ária que se pretende leccionar. Além disso, para além de se prosseguir com uma avaliação contínua nas escolas, com mecanismos do próprio ministério, não existe melhor avaliação do que o retorno dado, ano após ano, por alunos, pais e colegas. O trabalho de professor é como um livro aberto, sabe-se sempre quais são os piores e os melhores. Posto isto, aquilo que não permitirá, certamente, diferenciar um bom professor de um mau professor é uma prova escrita, com a duração de 120 minutos, feita com uma só chamada. Veja-se a bronca que deu por causa das grávidas, por não se ter contemplado um período de recurso. Imagine-se que, por situações várias, quem se propõe a fazer a prova a faz num estado de debilidade emocional – quer pela oposição e revolta que tem em relação aquele instrumento falacioso de aferição, e a tudo a ele inerente, quer, por exemplo, por estar transtornado pela morte de um familiar. O que se faz, não se tem hipótese de tentar de novo? Como é que num momento, apenas, se resumem as capacidades de um profissional que já tem vindo a dar provas? Fala inda nas moças do 12º ano que foram resolver a prova e que aparentemente passaram com grande galhardia. A prova não é difícil de facto, estando a chave para a sua resolução encerrada em pequenas rasteiras que procuram inquinar momentos de falta de atenção. Cenário esse que é potenciado pela situação de stress materializada pelo peso que aquele momento representa na vida do inquirido. Situação bem mais descontraída será a de duas moças do secundário que, no contexto de um programa televisivo, são seleccionadas para demonstrar o seu brilhantismo. Deslumbradas com o momento e, munidas do conhecimento adquirido ao longo dos seus 12 anos de escolaridade, terão feito, como seria de se esperar, um bom trabalho. É intelectualmente desonesto vir
É intelectualmente desonesto vir comparar os dois cenários, que são tão distintos. Sem me alongar mais, quero só dizer que esta prova e todo o seu aparato é o espelho de um ministro perdido, à deriva, sem preparação para desempenhar as funções que o cargo exige. Já é tempo de os dirigentes se preocuparem com o ser e não com o parecer.
blá, blá, blá o que é certo é os professores não querem ser classificados, nao querem fazer uma prova de acesso a profissão só porque fizeram nao sei quantas licenciaturas, mestrados e o diabo a sete, vão encher-se de moscas. Concorra a uma qualquer vaga de trabalho (repare que digo trabalho e nao emprego) no privado e repare, na maioria das ofertas, quantas "provas" tem que fazer. Já agora o que dizer de todas as outras profissões para as quais não se está qualificado para a exercer senão após um exame e/ou estágio? mesmo com licenciaturas e mestrados. O relvas tb se licenciou porque já tinha muita experiencia na area ...
Obrigado por ter partilhado a sua opinião sem fugir ao respeito pela minha, ainda que discordando dela profundamente.
PM
Assim que puder vou corrigir o erro. A falta que me fez um prof de português como deve ser!!!!
Essa é que é essa!
PM
Caro Anónimo das 18:38,
Suponho, perante a sua pitoresca onomatopeia que não leu ou não percebeu o que foi sendo escrito atrás. Transparece o seu distanciamento em relação a esta assunto, que é incorporado na boca simplista e brejeira. Assenta-lhe bem, mas não eleva a discussão para um plano de assertiva propriedade. O que não é de estranhar, dada a notória ignorância relativamente ao assunto. Já agora, escusa de partir do principio que trabalho no sector público ou que a única profissão que tive foi a docência. Também achei interessante a regurgitação do emprego versus trabalho, brilhante distinção, só faltou falar de empreendedorismo. Já estou a ver porque é que ideia de fazer uma prova medíocre e abjecta, no contexto degradante em que está inserida, não lhe faça torcer o nariz. No fundo tudo tem explicação. Está a falar no Relvas? Apesar disso ainda faz o jogo da gentalha que povoa a classe política... Vire-se contra os professores que é isso que vai melhorar o país. Não passa de mais um idiota útil.
Blá, blá, blá .... foscasse que o barrete foi até mesmo até aos pés.
É isso é. O que tenho medo da prova. Se é feliz assim, fique lá com a bicicleta. Aproveite e pedale, pedale, pedale... até se cansar.
Num país em que deveríamos ter um professor por cada dez alunos temos dez professores por cada aluno e quando 80% querem emprego, e repito emprego, sem se preocuparem minimamente com a qualidade do ensino ou com o bem dos alunos, não podemos esperar nada de bom.
E já agora se são tão destemidos e orgulhosos deixem de ser anónimos.
Henrique Cordeiro
Será que quis dizer "por ora" professor? Ou a massa de professores preservou a sua dignidade a cada 60 minutos?
Muito bem visto Cátia, olho de lince!
PM
Cara Cátia Simões,
Apontou o erro e estou-lhe grato pela correcção. Cumpriu a primeira parte da missão, parabéns. Só lhe faltou o restante "bla, bla, bla", como dizia por aqui um anónimo. Por ora não acrescenta nada à discussão. Estaria na hora de o fazer, caso contrário, descarto o seu escárnio.
O meu comentário de há já tantos meses, Professor, tinha como único intuito partir-lhe os telhados de vidro. Por norma não gosto de quem tenta, com tanto despropósito, partir o dos outros, para mais quando os seus mostram tão franca debilidade. Darei o contributo pedido, mas não aqui. Nas salas de aula, isso sim. Porque é onde vale a pena. E é lá que me declaro Professora, by the way. "Um rei que se autodeclara rei, nunca poderá ser um rei de verdade".
Cumprimentos, colega.
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