quarta-feira, 10 de julho de 2013

Hoje, Cavaco is ALL IN


Foi na mouche. Desde que é Presidente da República que não me lembro de um discurso tão bom. O seu discurso foi inversamente proporcional à incompetência do jornalismo nacional em ouvir as palavras do Presidente! Enfim, esta classe vampiresca queria sangue e agora anda a mergulhar a favola entusiasmada em ketchup. É caso para dizer que os palhaços devem estar orgulhosos do seu representante máximo, como de resto, todos os portugueses. Uma nota esclarecedora, Cavaco Silva é o representante máximo de todos os palhaços, mecânicos, banqueiros, médicos entre outros, ou seja, de todos os portugueses. Não quero como é lógico nenhuma confusão à la Miguel Sousa Tavares, mas aqui o Pantomineiro também não é capa do Jornal de Negócios.

Ora vamos por partes! Primeiro o Cavaco disse que este governo foi legitimamente eleito para um mandato de 4 anos, pelo que a mensagem inicial é: estão lá é para governar, e só saem se não se entenderem! Segundo, mesmo que não se entendam, até junho de 2014, ou seja, até terminar o plano de resgate a Portugal, o governo nunca vai cair, se não se entenderem, ele, o Cavaco, tratará de encontrar uma solução para governar o país, no que no meu entender é uma dica para um governo à la Monti, ou seja, o formato tecnocrata adoptado em Itália durante algum tempo. Terceiro, se após junho de 2014 andar tudo às turras, e houver uma manifesta vontade de existirem eleições antecipadas, corroboradas pelo manifesto do povo, então aí sim a coisa até se poderá dar. O que ele não disse, e eu deduzo, ainda assim será necessário que os mercados não estejam atiçados ao nosso país, pouco provável, pois se a conjuntura política nessa altura andar do avesso, então o mínimo que podemos esperar são os mercados aos saltos! De qualquer forma, para já ganhamos quase um ano de estabilidade irreversível, que só os capitães de abril poderão mudar, mas como estão velhos e cansados, não os vejo a abandonar uma partida de sueca para pegar na baioneta.

Qualquer leitura diferente desta quanto ao discurso do Presidente, pois meus caros, é pura ficção.

Agora o resto, um entalão ao Tózé Seguro, ou se põe a pau e afina pelo sentido de estado, ou então a conversa de miúdo mimado com vontade de brincar ao primeiro-ministro vai-lhe custar caro, ou seja, um António Costa qualquer em tempo útil lhe tirará a cadeira! Para já, puxão de orelhas do Cavaco e um pedido público para fazer parte da solução como um homenzinho (isto de renegar o passado do partido é mesmo coisa de miúdo). Resumindo, está entre a espada e a parede.

Quanto à maioria, alerta à navegação. O Portas que se deixe de amuos e pense duas vezes antes de fazer m***da outra vez. Ao Passos, só para não ficar de fora, um recadinho para aprender a encontrar consensos com o parceiro de coligação, mas agora também com o puto mimado do PS. Ora aqui está uma coisa que não vai ser fácil. Quanto ao PCP e BE, enfim, cartas fora do baralho do Presidente, não mereceram uma palavra, isto dito, até os parceiros sociais foram dignos de breves palavras do Cavaco em prol de consenso, ainda que no meio da perdigotagem.

Hoje, pela primeira vez tivemos um Presidente da República como não tínhamos há muitos anos. O homem apareceu quando a classe política em geral está de rastos, e o governo, num frangalho. O meu receio é que este ressurgimento presidencial seja tardio e insuficiente para endireitar o barco. A ver vamos, fico ansiosamente a aguardar o comentário do Miguel Sousa Tavares, na esperança que ele corrobore o meu pensamento e diga que “hoje tivemos um palhaço às direitas”.


Pantomineiro Mor

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