Ora vamos por
partes! Primeiro o Cavaco disse que este governo foi legitimamente eleito para
um mandato de 4 anos, pelo que a mensagem inicial é: estão lá é para governar,
e só saem se não se entenderem! Segundo, mesmo que não se entendam, até junho de
2014, ou seja, até terminar o plano de resgate a Portugal, o governo nunca vai
cair, se não se entenderem, ele, o Cavaco, tratará de encontrar uma solução
para governar o país, no que no meu entender é uma dica para um governo à la Monti,
ou seja, o formato tecnocrata adoptado em Itália durante algum tempo. Terceiro,
se após junho de 2014 andar tudo às turras, e houver uma manifesta vontade de
existirem eleições antecipadas, corroboradas pelo manifesto do povo, então aí
sim a coisa até se poderá dar. O que ele não disse, e eu deduzo, ainda assim
será necessário que os mercados não estejam atiçados ao nosso país, pouco
provável, pois se a conjuntura política nessa altura andar do avesso, então o
mínimo que podemos esperar são os mercados aos saltos! De qualquer forma, para já
ganhamos quase um ano de estabilidade irreversível, que só os capitães de abril
poderão mudar, mas como estão velhos e cansados, não os vejo a abandonar uma
partida de sueca para pegar na baioneta.
Qualquer leitura diferente
desta quanto ao discurso do Presidente, pois meus caros, é pura ficção.
Agora o resto, um
entalão ao Tózé Seguro, ou se põe a pau e afina pelo sentido de estado, ou
então a conversa de miúdo mimado com vontade de brincar ao primeiro-ministro
vai-lhe custar caro, ou seja, um António Costa qualquer em tempo útil lhe
tirará a cadeira! Para já, puxão de orelhas do Cavaco e um pedido público para
fazer parte da solução como um homenzinho (isto de renegar o passado do partido
é mesmo coisa de miúdo). Resumindo, está entre a espada e a parede.
Quanto à maioria,
alerta à navegação. O Portas que se deixe de amuos e pense duas vezes antes de
fazer m***da outra vez. Ao Passos, só para não ficar de fora, um recadinho para
aprender a encontrar consensos com o parceiro de coligação, mas agora também
com o puto mimado do PS. Ora aqui está uma coisa que não vai ser fácil. Quanto
ao PCP e BE, enfim, cartas fora do baralho do Presidente, não mereceram uma
palavra, isto dito, até os parceiros sociais foram dignos de breves palavras do
Cavaco em prol de consenso, ainda que no meio da perdigotagem.
Hoje, pela primeira
vez tivemos um Presidente da República como não tínhamos há muitos anos. O
homem apareceu quando a classe política em geral está de rastos, e o
governo, num frangalho. O meu receio é que este ressurgimento presidencial seja
tardio e insuficiente para endireitar o barco. A ver vamos, fico ansiosamente a
aguardar o comentário do Miguel Sousa Tavares, na esperança que ele corrobore o
meu pensamento e diga que “hoje tivemos um palhaço às direitas”.
Pantomineiro Mor




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