terça-feira, 11 de junho de 2013

PANTOMINOMICS para Portugal, depois dos Abenomics no Japão



O prometido é devido, depois de tanto bater na esquerda e na direita, e pelo meio construir muito pouco, chegou a hora de propor ideias para levantar Portugal. No Japão, o Primeiro-ministro Shinzõ Abe está a levar a cabo um plano arrojado para tirar o país de um marasmo económico deflacionista, através de muito investimento público, injeção de moeda a rodos e a reforma de alguns setores chave da economia, como o da energia. Ora como não é tanto o Japão que nos interessa, não vou entrar em detalhes, considero o plano arrojado e viável, mas deveras arriscado também.


Por isso por cá é preciso também inovar para crescer. As fórmulas clássicas estão demodées, embora sejam em si parte da solução. Ao plano que de seguida apresento e que promoverei junto no ministério de Álvaro Santos Pereira dei o nome de PANTOMINOMICS, mas terei todo o gosto em que o nosso primeiro, o Passos o possa rebatizar de PASSOMINOMICS se assim o entender.

A primeira premissa base é a de que o povo português de hoje nada tem em comum com os aventureiros de há 500 anos atrás, é agora mandrião e pouco dedicado ao empreendedorismo, e quando o é, enfim, falta sempre o mais importante, o belo do graveto. Por outro lado, o povo português, que os media insistem em colocar na extrema miséria e a passar fome, tem na realidade uma boa poupança acumulada nos bancos, a render pouco mais de 1% a 2%, ou seja, um colchão electrónico que substituiu o fedorento colchão lá de casa para armazenar as  encarquilhadas poupanças juntas ao longo de uma vida de trabalho.

Segunda premissa, o que está a ser feito atualmente, a abominável austeridade, leva o meu acordo, é mesmo assim, dói, mas o caminho da sustentabilidade passa pelo acerto das contas públicas. A lenga lenga dos ladrões que saquearam o país pode ter fundamento, mas se é um tema de justiça, então é julgar essa maltinha e colocá-la no xadrez. A verdade nua e crua é que há que pagar o que estoiramos indiscriminadamente. Uma única nuance, há que poupar os velhotes, não se abusa de quem já pouco pode contribuir para o país, de resto já sofrerão com os cortes na saúde, mas é mesmo assim, não se pode ter, não se tem (sempre achei as salas de convívio nos Centros de Saúde maus hábitos dos velhotes para evitar a solidão!). Já me ia esquecendo, isso do crédito fiscal é fait-divers, riscava também.

Então o que falta? Falta investir para que a economia cresça! Mais uma laracha à Tózé Seguro só para encher duas linhas deste post! Vamos ao que interessa e sem mais demora.

O NEO-SOCIALISMO na versão CAPITALISTA

O capitalismo está corrompindo e centralizado em “meia-dúzia” de tubarões que mandam no mundo. As suas fortunas tiram virtude à essência do capitalismo, que por cá nunca teve verdadeiramente expressão. As famílias detentoras de fortuna antes do 25 de abril foram substituídas por Belmiros e Amorins, ficando a indústria nacional na mesma, à mercê de uma nova “meia-dúzia” de gatos pingados, agora dourados. Pela natureza comodista da sociedade portuguesa, será difícil tirá-los do sofá, interrompendo um Benfica- qualquer coisa ou um direto do Big Brother dos famosos com direito a expulsão. Ao Estado competirá aniquilar esta dormência capitalizando na propensão nacional para o descontinho que leva qualquer tuga ao delírio.

Proponho por isso que o Estado crie dentro do Ministério da Economia uma área dedicada à análise de projetos, podendo os projetos serem apresentados por nacionais e estrangeiros, desde que dedicados ao investimento em território português e sediados em Portugal sob a natureza de sociedades anónimas.
Da análise resultaria apenas um estudo sumário para aferir da robustez do projeto, o objetivo seria o de o promover junto dos contribuintes portugueses para angariação de capital, a troco naturalmente de participações registadas em nome dos contribuintes, ainda que genericamente representados pelo Estado português.

Todo o investimento realizado pelos contribuintes via projetos patrocinados pelo Estado teriam um incentivo fiscal em sede de IRS, até 1000 euros/ ano por membro do agregado familiar. Mas o incentivo servirá apenas para propulsionar a inércia portuguesa em investir. O retorno, para os projetos bem sucedidos seria naturalmente recebido sob a forma de dividendos, à boa maneira capitalista. Os outros, os projetos falidos, pois o prejuízo do contribuinte investidor seria diluído na vantagem fiscal entretanto usufruído. Ainda assim, sugiro que o capital dos contribuintes canalizado via Estado para os projetos seja capital preferêncial sobre os demais, equiparado a dívida sénior para garantir algum retorno em caso de insolvência.

Para solucionar o problema da liquidez do investimento, caberia ao Estado português promover a dispersão do capital em bolsa sempre que o projeto atinja um patamar de maturidade suficiente para gerar interesse junto dos habituais tubarões dos mercados de capitais.

Porque o nosso país não é todo igual e o fosso litoral interior é cada vez maior, o benefício fiscal para projetos sediados no interior do país deveria ser majorado em 50% sobre os demais.

Modéstia à parte, considero esta ideia genial, e mais do que isso, viável. Além do óbvio, registo que nesta mecânica os pequenos investidores entram no investimento inicial, e por isso, ainda que com todo o risco inerente ao investimento em start-ups, serão compensados justamente em alguns casos, contrariamente à filosofia atual em que o pequeno investidor está recorrentemente a comprar no mercado de capitais gato por lebre (já o Cavaco o dizia há alguns anos!) depois do valor ser extorquido pelos principais grupos económicos!

Tenho ainda outras ideias concretas para a economia portuguesa, mas como o post já vai longo, vou guardar para cenas dos próximos capítulos. Já já vou submeter a ideia no site do ministério da economia e aguardar feed-back. Espero que por lá não andem a dormir.


É preciso dar força ao PANTOMINOMICS, ou se o Passos quiser, ao PASSOMINOMICS.

Saudações económicas!


Pantomineiro Mor

4 comentários:

Anónimo disse...

Não sei bem se percebi a ideia toda, mas do que entendendi parece-me uma boa iniciativa. Melhor do que o que se tem visto, que é pouco.

Abraço

Anónimo disse...

Caro Pantomineiro Mor:
Na condição de cidadão, vejo com bons olhos quaisquer iniciativas construtivas para fazer qualquer coisa por este país à beira-mar plantado. A sua ideia é interessante e com potencial, basicamente constituir um fundo público de capitais de risco (ou bussiness-angel club), financiado diretamente pelos contribuintes, sendo os benefícios e risco distribuidos pelos investidores. Para mim o grande obstáculo a esta ideia reside no facto de uma premissa que não considerou e não passível de ser considerada, que é a currupção das instituições públicas ao mais alto nível. Acredfita que se uma coisa destas fosse criada, os grandes grupos económicos não encontrariam uma forma de a controlar? A administração pública nos setores chave da justiça, economia e os media estão inquinados pelos interesses dos ditos tubarões. É preciso voltar a fazer com que o capitalismo promova a livre circulação de capitais e não a sua incidiosa acumulação. Novas ideologias, novas pessoas, novas mentalidades... Cumprimentos Pedro Martins

Unknown disse...

Caro leitor, obrigado, mas sugiro uma segunda leitura, não tem nada de mais e é bastante claro!

Abraço

PM

Unknown disse...

Caro Pedro,

É exatamente isso, o Estado como business angel em representação dos contribuintes, desta forma estamos a instigar o espírito capitalista na sociedade portuguesa. Já estamos numa economia capitalista, mas os portugueses são ainda demasiado "socialistas"!

Em relação à entrave que refere, o facto do contribuinte poder escolher o seu projeto, sendo os diferentes projetos públicos deveria ajudar, mas admito que seja necessário reforçar com outra medida do tipo apenas projetos de financiamento até 1 M de € para afastar o interesse dos ditos tubarões.

O meu receio com esta iniciativa é que apenas os maus projetos cheguem a leilão público, correndo o risco dos bons serem absorvidos pela banca e pelo private equity.

CUmprimentos

PM

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