quarta-feira, 1 de maio de 2013

A jogatana dos SWAPS


Ao longo da última semana já lhe ouvi chamar de tudo, desde ativos tóxicos, instrumentos especulativos, derivados de alto risco, e claro, a jogatana dos swaps, um clássico do Jerónimo na sua avaliação perspicaz ao que é o capitalismo e as vicissitudes do capital.

Tudo um chorrilho de disparates. Quem não sabe é melhor ficar caladinho. Ora senão vejamos: em 2008 as taxas Euribor, principal indexante para as operações de crédito na zona euro não paravam de subir, fazendo com que os custos de financiamento das empresas e do Estado aumentasse de forma significativa. Com o receio de que esta escalada tivesse ainda muita montanha pela frente, decidiram algumas empresas públicas portuguesas cobrir esse risco de taxa de juro, trocando com os bancos a taxa variável da sua dívida por uma taxa fixa ao longo do tempo (os tais contratos SWAPS), pagando por isso um prémio a que podemos designar de seguro (nada a ver com o palerma do nosso Tózé, que bem se podia chamar Inseguro). Foi ideia dos bananas que trabalham para o Estado? Claro que não, foi sugestão dos bancos que em tempo “oportuno” alertaram para o risco da contínua escalada da Euribor e para a importância de segurar uma taxa fixa para não tornar o custo da dívida das empresas públicas insustentável. E quem segura esse risco? Os caridosos dos próprios bancos, claro.

Azar dos azares, pouco tempo depois as taxa Euribor começaram a descer a pique até aos níveis que conhecemos hoje, coincidentes com os mínimos históricos e dos quais há promessa de não descolar tão cedo (felizmente para quem tem crédito habitação indexado à famosa Euribor). Ora se as empresas públicas garantiram para os seus empréstimos uma taxa fixa para a sua dívida quando a Euribor estava nos máximos, e poderiam hoje estar a pagar uma taxa especialmente baixa que deriva dos tais mínimos da Euribor, a diferença garante a todos nós contribuintes um prejuízo colossal!

A decisão em si, tomada em 2008, não é especialmente lesiva do Estado, nada tem de especulativa, e até pode ser considerada de bom senso, tratou-se de cobrir o risco de taxa de juro. Qual o problema? A decisão verificou-se errada. Os bananas dos gestores foram nas falinhas mansas dos bancos e foram enrolados. Acredito que os bancos teriam uma melhor perceção do mercado de taxas de juro e daquilo que seria a sua evolução, e claro, em sentido contrário ao da recomendação que realizaram aos bananas dos nossos gestores.

Enfim, escrevo este texto apenas para tentar dissipar um pouco do nevoeiro que a imprensa nacional colocou sobre este tema. Na verdade, muito do que lemos são textos tóxicos de elevado risco para a opinião pública. Quanto aos políticos da cassete gravada, tenho-vos a dizer que estamos cansados!

Para os gestores das empresas públicas, enfim, passo-lhes um atestado de incompetência por não pensarem pelas próprias cabeças e se deixarem enrolar pelos bancos.

Pantomineiro Mor

5 comentários:

Anónimo disse...

Bom dia(madrugada),

Sou o anónimo que lhe pediu para comentar a notícia da bola, noutro tópico e que já dialogou consigo noutros tópicos sempre de forma respeitosa e sensata.

Desde já fico contente por vê-lo a abordar este tema.

Quero também aconselhar quem quer que leia isto, para que não se fie na televisão e no que lá passa maior parte das vezes. Não é teoria da conspiração, mas há especial interesse em que não haja um caos generalizado, daí que grande parte destes temas seja sempre debatido de forma indolente.

Aconselho desde já a qualquer pessoa ver o filme Inside Job, que aborda desde logo grande parte dos temas de economia com uma introdução explicativa sobre maior parte das definições.

De resto este tipo de temas (finanças, constituição, mais concretamente tribunal constitucional, entre outros), são quase sempre mal interpretados pela falta de conhecimento que o "público" em geral tem, ou seja, as pessoas nunca estão realmente informadas porque raramente conhecem aquilo sobre o que os gestores e economistas vão para a televisão discorrer.

O problema inicia-se desde logo nas nossas escolas e ensino de educação onde o objectivo cada vez se foca mais em criar pessoas formatadas que não pensem fora da caixa e que só saibam digerir matérias para depois dos exames poderem esquecer. Para além de que, o plano de educação é pouco abrangente e obriga logo a partir do 10º ano (14 anos), que os jovens saibam e decidam aquilo que querem seguir (Ciências, Letras, Economia, Artes etc), impossibilitando-os de adquirir conhecimentos vastos sobre vastas matérias diferentes.


Cumprimentos

Pantomineiro Mor disse...

Caro leitor,

Estou em sintonia com o comentário, acho que vivemos numa democracia com tendências totalitárias, pois a formatação que referes é bem real. Por isso é que nossa sociedade é muitas vezes comparada à carneirada.

Temos e devemos tentar guardar alguma distância e não engolir toda a porcaria que nos querem enfiar na goela, em especial os media, seja por incompetência, seja por formatação política.

Não queres assinar os teus comentários com um nick? Assim é mais fácil para mim ir referenciando os leitores. Doutra forma são muitos "anónimos"!

Abraço

PM

Diogo Gaspar disse...

Já me esqueci que podia comentar com o perfil do Google+

O anonimato não me traz especial conforto tendo em conta que não comento com o intuito de insultar quem quer que seja.

Abraço.

lusitano disse...

Estamos de acordo,é um caso de incompetência dos governantes e da sociedade em geral.
O ensino em Portugal está igualado por baixo,com cursos de banda estreita,em que só aprendem o estritamente necessário ( 3 anos licenciatura ), e com grande facilitismo.
Estamos a ser governados por incompetentes, e a culpa é dos Portugueses, que aceitam isso, nas eleições.

Pantomineiro Mor disse...

Caro lusitano,

Concordo, uma nota em relação ao portugueses e às eleições. Quando a escolha á a que temos o que podem fazer? Têm de votar em alguém, não?

Em relação à educação, realmente porque é que as cabeças saloias deste país acham que todos têm que ser doutores e engenheiros? E ainda por cima com o maior facilitismo!

PM

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